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Mais do que um mercado atraente economicamente para produtores e vendedores, a estimativa é movimentar R$ 2,5 bilhões no Brasil com crescimento de 30% ao ano, o segmento de orgânicos também traz ganhos em escala para os consumidores

 

20160903_115709da redação

No mundo, o mercado de orgânicos cresce a razão de 5% ao ano e deve movimentar US$ 80 bilhões. Por aqui, a expansão anual é ainda mais acelerada, com 30% de aumento anual, com o segmento respondendo por R$ 2,5 bilhões. Mais do que um bom negócio para produtores, atacadistas e vendedores como feirantes, mercados, sites especializados etc, não se pode deixar de lado os ganhos evidentes para o consumidor, especialmente no quesito saúde, evitando despesas com remédios, médicos, exames e que tais, e garantindo uma vida mais longeva e com melhor qualidade.

É certo que o preço dos alimentos e derivados orgânicos ainda é um pouco mais elevado que os alimentos em geral, no entanto, a diferença se estreita cada vez mais. Estudos revelam que nos chamados circuitos curtos de comercialização, quando se compra direto do produtor ou em feiras especializados ou nos chamados clubes e/ou grupos de consumo, os valores estão muito próximos. O mesmo não se pode dizer quando a comparação é feita nos grandes atacadistas pelo número maior de elementos na cadeia envolvidos.

A base do preço um pouco maior que o produto convencional se deve a forma de produção em si, feita em espaços menores e com maior necessidade de mão de obra, bem como a necessidade de certificações que atestem a origem do produto. Recentemente, a Rede Brasileira de Grupos de Consumo Responsável e Instituto Kairós publicou a pesquisa Alimentos sem Veneno são Sempre Mais Caros?, que esclarece o tema e derruba alguns mitos.

O certo é que crescem tanto a demanda como a produção. Afinal, a certeza de que o orgânico é cada vez mais valorizado na mesa do consumidor é um alento para o produtor, assim como o consumidor fica mais consciente dos benefícios.

Produtores em pauta

Para que uma cultura seja considerada orgânica, o produtor precisa investir. Além de mão de obra treinada, terrenos preparados e livres de contaminação por agrotóxicos e venenos, o agricultor precisa obter a certificação e o selo de garantia dos produtos orgânicos, algo estipulado na Lei 10.831 e nas normas do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Depois da certificação, o produtor deve buscar formas de escoamento de seu produto, seja em feiras especializadas, seja de forma direta ou mesmo em contato com atacadistas. O certo é que se garante um bom lucro e se fideliza o cliente final ou mesmo o meio de vendas com mais facilidade que na agricultura tradicional.

Algumas culturas são de fácil adaptação ao modelo orgânico, como a de bananas. “Cerca de dois terços de toda a fitomassa da bananeira retorna para o solo, ou seja, ela restitui quase 70% do que produz”, afirma Ana Lúcia Borges, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e representante da Empresa na Comissão de Produção Orgânica da Bahia, fórum composto por membros de entidades governamentais e não governamentais.

No Brasil, estima-se que apenas 0,5% da área colhida de banana esteja sob monocultivo orgânico, ou seja, em torno de 2,4 mil hectares. De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dentre todas as frutas produzidas no Brasil, a banana ocupa o segundo lugar em área colhida (aproximadamente 485 mil hectares), produção (cerca de 6,9 milhões de toneladas) e consumo aparente por habitante (30 kg/ano).

Não custa lembrar que, para ser considerado orgânico, o produtor deve usar técnicas ambientalmente sustentáveis e não pode utilizar agrotóxicos nem adubos químicos solúveis, que devem ser aplicados rigorosamente de acordo com as instruções para que não haja excesso em relação à capacidade de absorção das plantas e, a longo prazo, não tragam danos ao ecossistema.

É possível ainda seguir o sistema orgânico de produção para a cultura da banana, organizado pela Embrapa, que está na segunda edição. A publicação reúne informações técnicas sobre estabelecimento da cultura, preparo da área, seleção de variedades e mudas, práticas culturais, manejos de doenças, nematoides, insetos e ácaros, além dos manejos na colheita e pós-colheita, com base nos regulamentos aprovados para a produção orgânica.

Na hora da venda, como os cuidados nas fases de comercialização são maiores, o percentual de perda do produto é menor que os cerca de 40% encontrados para as bananas convencionais. Melhor, a exportação do produto cresceu nos últimos anos. O destaque fica para produtos processados, como a banana passa proveniente do Projeto Jaíba, em Minas Gerais, e exportada, principalmente para a União Europeia e os Estados Unidos.

Momento da venda

Feiras especializadas, sites e mesmo pequenas lojas ganham mais e mais espaço e garantem ganhos tanto monetários como no sentido de economia solidária ou com cunho social. Uma experiência neste sentido é o do Instituto Chão, localizado no bairro da Vila Madalena, em São Paulo.

A filosofia do Chão é comercializar alimentos e artesanato orgânicos com valor próximo do custo, semelhante ao proposto pelo produtor, dentro da chamada Economia Social. E em um ambiente que mistura a vibe de mercearia de bairro com um café moderno. No site do empreendimento ele é descrito como “uma associação sem fins lucrativos que se movimenta para o aprofundamento da consciência crítica, da democracia e da igualdade de direitos”.

Como prioridade, o Chão estimula os pequenos produtores e a agricultura familiar, uma base significativa da cultura orgânica brasileira, partindo da ideia de garantir a qualidade e a origem dos alimentos. Para o consumidor a informação é explicitada ao máximo, seja a origem do produto, seu valor no campo, frete e até mesmo as taxas dos cartões para a compra. Na comparação de preços, os valores são até 200% menores que nos supermercados.

A sustentabilidade e continuidade do projeto tem outro ponto interessante, os consumidores podem se tornar aliados do Chão pagando uma mensalidade de R$ 60 ou qualquer outra quantia, e essas contribuições são transparentes para os contribuintes. Vale uma visita e o apoio, na Rua Harmonia 123, de terça a sábado, das 8:30 às 14 hs, mas chegue cedo.

Em breve falaremos como você pode abrir a sua loja de orgânicos, fique atento!

*Com informações da Embrapa

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